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Amanhã é sexta-feira 13. Há cerca de 16 anos, esta seria uma semana
negra para as empresas e usuários de computadores. E não se tratava de
superstição. Na época, um perigoso vírus atacava impiedosamente os
computadores infectados. O seu nome era Jerusalém, mas ficou
mundialmente conhecido como Sexta-feira 13, pois era ativado nessa
data.
De acordo com Marcos Maurer, diretor da Aker Security Solutions, o
Sexta-feira 13 fazia parte da 1ª geração de vírus, que infectavam os
aplicativos (programas executáveis). “Na semana passada, vimos um
outro vírus atacar os computadores no mundo todo, o Bugbear.B, que
pode ser classificado com um vírus de 5ª geração, já que consegue
desabilitar alguns softwares antivírus e de segurança”.
Do Sexta-feira 13 até o Bugbear.B muita coisa mudou, e os vírus
eletrônicos se tornaram muito mais sofisticados. “Os vírus de 1ª
geração surgiram em 1987 e hoje são muito fáceis de serem localizados
e eliminados.
Por isso, logo em seguida, surgiu a 2ª geração, que são vírus que se
escondem em áreas de boot de discos rígidos e disquetes. Um dos mais
famosos foi o Ping-Pong, em que uma bolinha saltava na tela, sempre a
partir das 18 horas”.
A terceira geração é formada por vírus furtivos, ou Stealth, em
homenagem ao avião norte-americano “invisível” aos radares. “São vírus
que usam algumas técnicas rebuscadas, para que sua presença não seja
detectada pelos anti-vírus. Se ele identifica a presença de um
programa antivírus na memória, ficará fora de atividade, adormecido,
para não ser percebido. Os vírus do tipo Stealth também interferem nos
comandos Dir e Chkdsk do DOS, mostrando os tamanhos originais dos
arquivos infectados, ao invés dos tamanhos reais, após a infecção,
fazendo parecer que tudo está normal”. Os primeiros vírus
representantes dessa geração surgiram em 1990.
A 4ª geração é formada por vírus mutantes, também denominados
autocriptografados, ou polimórficos, que mudam parte de seu código a
cada infecção, com o objetivo de enganar os programas antivírus. “Um
bom representante dessa geração é o Ameba Maltesa, que pode gerar mais
de 65,5 mil códigos diferentes”.
Já a 5ª geração é a de vírus que destroem as defesas instaladas pelos
usuários, como softwares antivírus. “Este é o caso do Bugbear.B, que
na semana passada colocou o mundo em alerta.
Na sexta-feira, levantamentos preliminares da empresa Panda Software,
fabricante de antivírus, indicavam que mais de 400 mil computadores em
empresas de todo o mundo estavam infectados”, observa Maurer.
O Bugbear.B é um vírus mutante, característica da 4ª geração, que se
propaga de forma maciça através de uma mensagem eletrônica, que traz
como assunto o nome do arquivo juntamente com suas variáveis. Trata-se
de um código malicioso extremamente perigoso, já que é capaz de
infectar um certo número de arquivos, além de inutilizar alguns
programas antivírus e de segurança que possam estar instalados nos
computadores infectados.
O vírus Bugbear.B também é capaz de aproveitar-se de uma conhecida
vulnerabilidade do navegador Internet Explorer, chamado de
Exploit/Iframe. Ele se executa automaticamente, com a simples visão
prévia do e-mail no Outlook, sem a necessidade de se abrir os arquivos
anexados. Além disso, o vírus abre a porta 1080 do sistema, com a
finalidade de permitir a entrada de um hacker, que passa a ter acesso
remoto aos recursos do computador infectado, gravando todas as ações
do usuário, incluindo as sequências de teclas digitadas. Desse modo, o
hacker pode obter dados confidenciais, como senhas, números de conta
bancária e cartão de crédito.
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